05/11
Varandas desabam e assustam moradores
Nos primeiros minutos de ontem, a técnica em higiene bucal Valdete Abadia de Sousa, 50, havia acabado de sair da sacada de seu apartamento e se sentar na mesa do computador quando ouviu um estrondo. Acreditou que era mais uma colisão de veículos na Avenida Rio Branco, no Setor Urias Magalhães, Região Norte de Goiânia. Ela se levantou para ver se a batida havia acontecido em frente ao Condomínio Quartier Saint Martin I, mais conhecido pelo seu antigo nome, Panorama Park. Ao ver pela janela a poeira que subia não teve dúvidas: a varanda de seu apartamento, o 402 do bloco H3, e a de sua vizinha, Daniela Dias de Souza Ramos, o 401 H3, haviam desabado.
Do lado de fora, os destroços do acidente anunciado, concreto e a grade instalada no apartamento de Daniela para a segurança da filha dela, uma menina de 5 anos, caíram sobre o Chevrolet Astra GL prata, ano 2000, placas KDX-0864, de Sebastião Arlindo, morador do bloco E3, que aluga do condomínio o espaço para guardar seu carro. A parte dianteira do veículo, capô, faróis, e pára-brisa ficaram danificados. A viagem com a família para Morrinhos precisou ser cancelada para que o dono fosse atrás do síndico da 1ª etapa do Panorama Park, Antônio Carlos, que foi para o interior do Estado.
Valdete e Daniela, já prevendo um possível acidente com a varanda de seus dois apartamentos, que são interligados, escreveram um comunicado que foi entregue a um homem que, segundo elas, é o tesoureiro do condomínio. Na carta, escrita no dia 21 de agosto deste ano e recebida no dia seguinte, elas declaram temer por um acidente, descrevem a estrutura danificada das varandas, com “rachaduras” e “ferragens podres”. As duas moradoras pediram que a área sob a varanda fosse interditada, já que no local passam pessoas e crianças brincam.
Segundo vizinhos, Daniela ficou nervosa logo após o desabamento e precisou ser socorrida por uma vizinha que é enfermeira. A filha dela já está com a avó e a família da mulher desocupou definitivamente o apartamento que alugava. De acordo com a tenente Ana Lúcio Cardoso, da Defesa Civil, todas as varandas do Panorama Park foram interditadas.a notificação foi entregue a um representante do síndico, que não se encontrava no condomínio no momento do atendimento à ocorrência.
Cardoso diz que o relatório final da Defesa Civil aponta, inicialmente, a falta de manutenção como possível motivo para o desabamento. A tenente afirma que fica a cargo do condomínio um laudo de um engenheiro sobre o estado das varandas do Panorama Park que poderá confirmar quais fatores desencadearam o acidente. O documento, juntamente com o relatório da Defesa Civil, será encaminhado ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e ao Corpo de Bombeiros, que definirão o futuro das varandas.
De acordo com os moradores, o Panorama Park foi inaugurado em 1982. As poucas reformas que aconteceram nas varandas foram bancadas pelos próprios residentes em seus respectivos apartamentos. Todos os habitantes ouvidos pela reportagem afirmaram que os reparos nessa parte dos edifícios são de responsabilidade do condomínio, já que são estruturais e referentes às fachadas de cada apartamento. Não é difícil encontrar varandas muito danificadas em todos os blocos do condomínio visitado pela reportagem do HOJE.
Valdete diz que a taxa de condomínio para cada morador é de R$ 118, mas que o último pagamento efetuado foi de R$ 133 para que fosse coberta a reforma do portão de entrada. Ela diz que em agosto foi feita uma reunião de condomínio na qual ficou decido que cada morador responsável por um apartamento pagaria dez parcelas de 10 reais para que as varandas fossem reformadas. Porém, diz ela, alguns contestaram o valor, e ficou então acertado que seria responsabilidade deles fazer novos orçamentos para os reparos. “De lá até hoje nada foi feito.”
Fonte: Jornal Hoje Notícia - Por Gustavo Ponciano