19/01
Como se proteger dentro de casa contra assaltos?
Esta semana, as cenas de uma invasão em São Paulo correram o Brasil. Mais de 30 bandidos invadindo um condomínio, como sempre, com muitas armas. A violência urbana faz o cidadão se entrincheirar cada vez mais e uma pergunta perturba as famílias de todo o país: o que fazer em casa, dentro de um condomínio, para evitar assaltos?
A sensação é de susto constante. Para tentar se proteger, muita gente investe alto em equipamentos de segurança. Mas, no final de semana, um prédio e um condomínio de luxo foram assaltados, mesmo tendo câmeras e guardas particulares.
Comportamento errado pode colocar a perder todo o investimento em segurança. Na central de monitoramento de uma grande empresa de segurança em São Paulo, o gerente de sistemas eletrônicos Marcelo Ferreira e o coordenador de proteção executiva Antônio Carlos Biagioni falam sobre o assunto. Lá, condomínios são monitorados 24 horas por dia.
O gerente de sistemas eletrônicos Marcelo Ferreira destaca que, em caso de emergência, os funcionários acionam viaturas e a polícia.
Já o coordenador de proteção executiva Antônio Carlos Biagioni lembra que “ao chegar em casa, há uma série de procedimentos a se adotar. Além da tecnologia, é importante que haja uma conivência comportamental entre quem executa a segurança de um condomínio e quem se utiliza da parte condominial. Ter uma espécie de código, para que uma mímica facial pode indicar se o acompanhante é bem-vindo ou se o morador é refém”.
Contar com a colaboração dos vizinhos também é importante para garantir a segurança, principalmente quando a casa fica vazia, durante uma viagem. É importante pedir que eles fiquem de olho em qualquer movimentação estranha.
Pesquisa destaca os móveis preferidos por ladrões
Especialistas dizem que regras básicas de segurança podem diminuir os riscos. Também, nesta guerra contra os roubos, vale tudo, até pesquisa, para descobrir as preferências dos ladrões - ouvindo os próprios.
Quando um prédio é assaltado quase sempre a notícia se espalha rapidamente e a reação é imediata. “Fico nervosa, tranco tudo”, diz uma senhora.
A casa de Antonio foi assaltada quatro vezes. “Levaram som, televisão, essas coisas”, comenta.
Antônio mora no Paraná, que, como outros estados brasileiros, sofre com a falta de segurança domiciliar. Lá, a Polícia Militar fez uma pesquisa original: quis saber o que mais atrai os ladrões.
Presos condenados por roubo deram dicas interessantes. Por exemplo: a vegetação mal cuidada pode ser um sinal de que o morador não zela pela casa. Por isso, não estaria preocupado em proteger o imóvel: 71% dos ladrões entrevistados disseram que preferem assaltar casas com muros altos. O motivo: depois de estarem lá dentro, eles é que estariam com mais segurança. Não seriam vistos pelos vizinhos; 60% dos ladrões contaram que já escalaram muros e que lixeiras no lugar errado servem de escada e 21% dos criminosos escolheram residências que ficam ao lado de terrenos baldios, pois facilitam a entrada e protegem contra o olhar de vizinhos.
Para o coordenador da pesquisa, o tenente da Polícia Militar Roberson Luiz Bondaruk, medidas simples podem diminuir o número de invasões: “Ao invés de trocar uma janela por uma câmera de TV, preferimos que a pessoa coloque uma grade e passe a conversar mais com os vizinhos. É mais barato e mais eficiente”.
Mas em quase todas as grandes capitais, os condomínios preferem investir pesado em equipamentos, como rádios, alarmes, circuito-interno de TV. Poucos síndicos aceitam abrir as portas para reportagens. O argumento: não querem "entregar o ouro ao bandido".
“Prefiro ser cercada por câmeras e profissionais de segurança a ser cercada por tiros, balas perdidas, assaltantes, menores infratores ou mendigos. É preferível ter câmeras”, confirma a professora Silvia Goldestein.
A entrada principal de um prédio é um dos lugares fundamentais para se ter uma câmera de segurança, segundo o especialista em segurança predial André Godinho. “Os acessos são indispensáveis, como acesso a portaria social, de serviço, acesso a garagens”, confirma.
Um condomínio na Zona Sul do Rio de Janeiro tem sete prédios, 700 apartamentos. Sônia Lessa trabalha na administração do lugar há 17 anos e diz que cuidar da segurança é difícil, porque circulam diariamente mais de quatro mil pessoas no local.
“Gastamos cerca de 40% da arrecadação por mês em segurança, entre equipamentos e pessoal. Isso dá algo em torno de R$ 200 mil”, calcula a administradora Sônia Lessa. Apesar do valor alto, o gasto é bem aceito pelos moradores.
Especialistas em segurança predial dizem que os moradores precisam mudar de hábitos. “Morador deve ver em volta se há algum tipo de ameaça. Se tiver, deve seguir em frente e não ir até a portaria ou pode ser utilizado no crime”, diz um especialista.
E mais: cuidado dobrado com entregadores. A porta da frente e a garagem são as vias prediletas das quadrilhas. Então, é preciso reforçar.
Os funcionários dos prédios precisam receber treinamento especial, e cada um deve exercer sua função específica.
Solução criativa em Minas Gerais
Veja a solução encontrada por uma empresa de ônibus de Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, para evitar os constantes assaltos. É um pedido de socorro, em letras garrafais.
Em Santa Luzia, a palavra de ordem é criatividade. Primeiro, foram os ônibus, em que foi instalado um tipo diferente de alarme. Não faz barulho, é imperceptível para quem está dentro do coletivo. Em caso de emergência, o motorista ou cobrador aciona um botão escondido. Então, o letreiro luminoso que indica o itinerário das linhas passa a pedir socorro: “Esse carro está sendo assaltado, socorro, ligue 190”.
Aí entram os moradores que, ao perceberem o alerta, devem acionar a polícia, ligar para 190. A experiência começou no meio do ano passado e 60 coletivos da cidade já estão equipados. De 2007 para 2008, o número de assaltos a ônibus caiu 80%.
Depois desse resultado, os táxis da cidade também passaram a fazer parte de um esquema de proteção. Adesivos no porta-malas e no painel do carro indicam que os veículos estão sendo vigiados.
Na próxima etapa do projeto, será implantado um dispositivo nos táxis: um para acionar os faróis, que irão piscar se parar e outro no porta-malas, para que o taxista possa abrir a tampa se ficar preso lá dentro. Haverá também um celular reserva para contato com a polícia.
Fonte: Bom Dia Brasil